Revezamento da tocha: BA, SE, AL e PE (dias 20 a 29)

Tanta coisa aconteceu desde que deixei Valença, na Bahia. Primeiro, a linda travessia de balsa até Salvador, partindo da Ilha de Itaparica. Simplesmente adorei.

Depois, o fim de semana na capital baiana, que não me canso de visitar. Adorei ver o remodelado largo da Mariquita,  que não é mais só a casa do famoso Acarajé da Cira, mas uma área de entretenimento com muitas opções. E não poderia faltar também um pulo no Largo de Santana, onde fica o Acarajé da Dinha.

20160521_215609.jpg

De Salvador, muito chão até Senhor do Bonfim, bem ao norte da Bahia,  passando por paisagens maravilhosas.  E, de lá, mudamos rapidamente de estado. Cruzamos a ponte que separa a baiana Juazeiro da pernambucana Petrolina,  onde dormimos.

Fomos ao Bodódromo para comer… bode,  claro! Mas achamos estranho quando o garçom falou que o bode lá era carneiro porque bode mesmo tinha cheiro de “barrão”, segundo ele. Eu, que não tinha curtido muito a tal carne de bode quando experimentei num restaurante tradicional de João Pessoa, muitos anos atrás,  confesso que fiquei até aliviado. Rs.

De Petrolina, voltamos para a Bahia. Conheci Paulo Afonso, onde fica o complexo hidrelétrico e o Velho Chico mostra sua beleza. Foi a última cidade baiana antes de começarmos a explorar o até então desconhecido para mim Sergipe. Rodamos até por estrada de terra e eu me encantei pelas paisagens do sertão.

Quando cheguei a Aracaju, mais uma bela surpresa: uma cidade ampla, organizada e bonita. Infelizmente, não tive tempo de conhecer a praia. Sergipe passou voando. Mas voltarei.

Logo, logo, já estávamos em terras alagoanas, cercados de muitos tons de verde emoldurando a estrada. Nosso destino era Maceió, que eu conheci rapidamente, a trabalho, e pude matar as saudades mais a jato ainda. Mas é sempre bom estar na orla da praia de Pajuçara, né!

20160527_120220.jpg

De Alagoas, fomos para a pernambucana Caruaru. Adorei conhecer o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, onde – dizem – rola o melhor São João do mundo. O maior – dizem também – é o de Campina Grande, na Paraíba. E essa disputa sadia, sempre em tom de brincadeira, impulsiona o forró nas duas cidades.

Mas, antes de chegar à Campina Grande, teve uma parada no meu queridíssimo Recife, que já visitei tantas vezes a trabalho ou a passeio. Amo o pessoal daqui, a atmosfera, tudo. E, pela primeira vez, desde que embarquei nessa aventura, pude fazer uma atividade física: vôlei com novos “parceiros”, na hospitaleira Boa Viagem!

Próxima parada: PB, RN e CE

Parada anterior: Série EM/COMO – Em Valença, como os valencianos

Série EM/COMO: Em Valença, como os valencianos

Quando eu experimentei a genuína moqueca capixaba (leia aqui), fiquei com aquela sensação de que eu teria que comer a versão baiana de novo para saber qual das duas é melhor. Pois bem! Estávamos meu colega e eu em Valença e chegou a hora do jantar! A ideia nem era comer moqueca.

wp-1463707173118.jpg

Mas o restaurante mais pertinho do hotel oferecia essa delícia no cardápio e pensamos: por quê, não? Pedimos a de peixe com camarão e chega essa coisa mais maravilhosa na nossa mesa:

wp-1463707140868.jpg

Um prato muito bem servido com arroz, farofa, um pirão de comer ajoelhado e uma saladinha. Quando perguntei à garçonete se a moqueca de lá era melhor que a capixaba, a resposta foi imediata:

“Se não tem dendê, não é moqueca”

Aí, me lembrei do pessoal de Vitória:

“Moqueca é capixaba, o resto é peixada”

Rivalidades à parte, só tenho a agradecer pela comida maravilhosa que comi em ambos os estados. Mas preciso confessar: tenho uma relação de amor verdadeiro com o o dendê e o leite de côco. A moqueca de Valença vai ficar eternamente em meu coração. Se estiverem de passagem por lá, o restaurante é o Estação Tatiba.

wp-1463707158752.jpg

Ah, este pirão… meu Deus!

Confira todos os links da série EM/COMO aqui.

Próxima parada: Revezamento da tocha – BA, SE, AL e PE (dias 20 a 29)

Parada anterior: Revezamento da tocha: Do Espírito Santo à Bahia (dias 14 a 19)

Revezamento da tocha: Do Espírito Santo à Bahia (dias 14 a 19)

Depois de Minas, veio o Espírito Santo, um estado que eu não reencontrava desde a infância, quando meus pais me levaram para frustrantes férias em Marataizes, numa torturante viagem de ônibus, desde Belo Horizonte. Desta vez, o percurso era de carro, 340 km de Juiz de Fora a Cachoeiro de Itapemirim, a terra do rei Roberto Carlos.

20160514_103929

Foto do rei na Casa de Cultura Roberto Carlos

Andamos mais 140 km até a simpática Vitória. O clima não ajudou muito, mas adorei conhecer a cidade e a genuína moqueca capixaba, como relatei aqui.

20160514_143846

Baía de Vitória, vista do meu hotel

20160515_145751

Ilha das Caieras

São Mateus, distante 210 km, foi a última parada no estado, antes de entrarmos em território baiano. Rodamos 370 km (ufa!) até o primeiro destino: Porto Seguro, onde eu só havia pisado a caminho de Arraial D’ajuda. Foi legal conhecer um pouquinho da orla e do Centro Histórico, onde ficam o Marco do Descobrimento, a igreja Nossa Senhora da Pena e o Museu de Porto Seguro. Ainda que rapidíssimo, a jato mesmo, bem ao contrário do jeito baiano de ser (com o perdão do estereótipo).

Saindo de Porto Seguro, pegamos um dos trechos mais pesados da viagem: uma estrada movimentadíssima até Eunápolis, um pedaço lotado de carretas na BR101, outro complicadíssimo na BA680 e mais um tantão de chão. Mais ou menos 420km em seis longas horas até chegarmos a Vitória da Conquista. Outros 280km de chão nos levaram à Ilhéus, que eu também só tinha visto de passagem, por duas vezes, a caminho de Itacaré e também Barra Grande.

20160519_085238

É assim que a gente vê Ilhéus de passagem

Ficamos na praia dos Milionários, lá na pontinha da orla. Não deu tempo de entrar no mar, claro, mas pelo menos conheci um pouquinho mais da cidade. Fui ao Centro Histórico, onde fica o Palácio Paranaguá, o bar Vesúvio (aquele mesmo da obra Gabriela, de Jorge Amado) e a Catedral de São Sebastião.

De Ilhéus, 180km de estrada nos levaram à Valença, outra cidade que só tinha conhecido em trânsito, quando peguei a lancha para Morro de São Paulo. Não consegui conhecer muito mais do que eu tinha visto na primeira vez. Mas ainda tem muita Bahia, ESSA LINDA, pela frente!

Próxima parada: Série EM/COMO: Em Valença, como os valencianos

Parada anterior: Série EM/COMO: Em Vitória, como os vitorienses

 

 

Série EM/COMO: Em Vitória, como os vitorienses

Uma disputa antiga, que dá o que falar: qual é a moqueca? A baiana ou a capixaba? Experimente fazer essa pergunta no Espírito Santos! A resposta virá a jato:

“Moqueca é a capixaba. O resto é peixada!”

Confesso que, até hoje, comi mais a versão baiana. E, quando experimentei a capixaba, foi fora do Espírito Santo. Por isso, estando em Vitória, não poderia perder a oportunidade de saber o que é que a capixaba tem. Conversando com meu contato na cidade, veio a dica: vá ao Restaurante Pirão ou ao Partido Alto. Como o primeiro estava fechado, vamos ao segundo. Como estávamos em três e a moqueca servia dois, pedimos uma casquinha de siri de entrada:

20160514_210633

Estava uma delícia, mas fica-dica 1: o prato para dois serve três pessoas tranquilamente. Pedimos uma moquequinha de banana da terra para “completar”, mas nem precisava. Olha a quantidade de comida:

20160514_212453

 

Entre comentários sobre a fartura do prato, perguntei ao garçom sobre o que difere a moqueca capixaba da baiana. “A nossa não vale leite de côco e dendê, como a deles. Por isso, é mais leve. Além disso, é mais bem temperadinha. Leva urucum, alho, coentro, cebola e tomate”. No dia seguinte, quisemos repetir a dose. E o local indicado foi bem mais tradicional: a ilha de Caieiras, uma espécie de vila de pescadores bem simples.

20160515_145751.jpg

Escolhemos o Restaurante Teresão e, já cientes do exagero das porções, pedimos só uma moqueca para três. A comida era igualmente gostosa e a rusticidade e genuinidade do lugar tornaram a experiência única.

20160515_143034

Mas vamos ao que interessa? A moqueca capixaba é mesmo melhor? Acho que terei que comer a versão baiana de novo para tirar uma conclusão. Rs.

Confira todos os links da série EM/COMO aqui.

Próxima parada: Espírito Santo

Parada anterior: Revezamento da tocha: Oh, Minas Gerais (dias 6 a 13)

Revezamento da tocha: Oh, Minas Gerais! (dias 6 a 13)

Passei a última semana todinha na minha terra. Foram 22okm de Uberlândia a Patos de Minas, 420 km até Montes Claros, 260 km até Curvelo, 380 km até Governador Valadares, 220 km até Itabira, 110 km até BH e 280 km até Juiz de Fora. E lá se foram mais 1890 km em Minas Gerais, esse estado tão diverso e que poderia ser um país. Afinal, tem área maior que a da Alemanha, por exemplo, e regiões totalmente diferentes umas das outras. Do Triângulo…

wp-1463188317897.jpg

Lagoa Grande, Patos de Minas

… à metrópoles como Governador Valadares e Juiz de Fora…

… passando por diferentes tradições, culturas e costumes, como a Festa de Agosto, em Montes Claros:

image

Minas são muitas e todas se unem no orgulho de ser mineiro.

image

Da bonitinhamente aconchegante Curvelo…

image

… à literária Itabira, de Drummond, onde eu adorei conhecer os Caminhos Drummondianos, que mantêm viva a história e a obra do grande escritor…

image

… e, claro, com uma parada estratégia na minha terra; a primeira cidade em que dormimos duas noites e que é dona desse Belo Horizonte.

image

Foi bom estar em Minas logo no começo da jornada. Agora, tudo muda. Vamos pra beira do mar, para o sertão, o agreste, a Amazônia e por aí vai. Tem muito chão ainda por este Brasil continental.

image

Próxima parada: Série EM/COMO – Em Vitória, como os vitorienses

Parada anterior: Série EM/COMO – Em Montes Claros, como os montes-clarenses

Série EM/COMO: Em Montes Claros, como os montes-clarenses

A cidade-pólo do Norte de Minas é também a capital do pequi. Mas Montes Claros tem também a deliciosa carne de sol. Minha colega de UFMG, Cibele, que voltou a morar na cidade depois de 16 anos fora, foi nossa cicerone e nos levou pra comer um delicioso Churrasco Toco. As fotos ficaram péssimas, por causa da luz, mas a comida estava ótima. Valeu, “Cibellot”!

No café da manhã do hotel, estava rolando abacate no meio da salada de frutas. Tentei apurar se isso é um costume por lá e não consegui. Mas fica o registro:

image

Mas foi no Mercado Central de Montes Claros que matei saudades do famoso arroz com pequi. É polêmico, eu sei. Nem todo mundo aprecia o gosto. Mas meu colega carioca que viaja comigo experimentou e gostou.

Quase comprei uma embalagem do danado em conserva. Mas a viagem é longa e não seria prudente.

Confira todos os links da série EM/COMO aqui.

Próxima parada: Revezamento da tocha: Oh, Minas Gerais (dias 6 a 13)

Parada anterior: Revezamento da tocha: DF, Goiás e Triângulo (dias 2 a 5)

Revezamento da tocha: DF, Goiás e Triângulo (dias 2 a 5)

Celular corporativo num bolso e o pessoal no outro (apenas para dar a sensação de que a vida nesses três meses não se resume a trabalho).  Mas é. E muito. Uma experiência realmente única.

De repente,  o relógio biológico entra em modo revezamento. Às 6 da manhã, os olhos já estão acesos, como a tocha.

O ritmo é puxado. Praticamente uma cidade por dia, separadas por quilômetros. Já são 950km de céu, outros 570 km de chão, seis cidades, dois estados e o Distrito Federal. Goiás fez jus às minhas expectativas. Ô, povo legal, sô! Tipo-qui-nem mineirim.

20160504_120722.jpg

Mas é mesmo em Minas Gerais que me sinto mais em casa. É onde o sotaque conforta, o olhar alheio aconchega e o jeitinho acolhedor tornam tudo mais leve. Delícia rever Uberlândia, conhecer Patos de Minas, ainda que “ligeiro”, numa velocidade tão diferente do estilo de vida dessas bandas. Ainda tem muito estrada pela frente. Mas como nós, mineiros, dizemos, o Brasil inteiro é logo ali.

Próxima parada: Série EM/COMO – Em Montes Claros, como os montes-clarenses

Parada anterior: Série EM/COMO – Em Anápolis, como os anapolinos