Halong Bay

É um grande dilema pra quem tem pouco tempo e quer ver muita coisa: fazer tudo um pouquinho mais rápido ou cortar algo do roteiro para se dedicar melhor aos destinos escolhidos. Bom, pelas razões explicadas no post “Sudeste Asiático em 20 dias“, escolhemos a primeira opção.

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Conhecemos Halong Bay, a atração mais famosa do Vietnã e patrimônio natural da Humanidade, num bate-volta. Muita gente sugere fazer o passeio de pelo menos dois dias, porque o esquema é puxado! Saindo de Hanói, são 3,5 horas pra ir e o mesmo tanto pra voltar. Mas, como não teríamos tempo mesmo (e também porque lemos relatos de blogamigos que não curtiram a experiência de dormir no barco), fizemos o temido tour de um dia. É loooongo! E muita gente o evita, por ser cansativo e não explorar tão bem a região (no fim do post, você confere se eu recomendo ou não a experiência). Havíamos chegado a Hanói na noite anterior e, logo cedo, um microbus com um guia supersimpático e falante nos pegou pro tal passeio. Contratamos o tour pela internet, ainda no Brasil, e fica-dica 1: economiza um tempo danado e funciona direitinho.

passeio de barco por Halong Bay

Cartão-postal do Vietnã

Durante o trajeto, é fácil entender por que muita gente recomenda os passeios de dois os três dias. Apenas 150km separam Hanói de Halong, mas o trânsito não flui. O microbus não passa dos 50km Pela janela, algumas cenas do Vietnã real, com fábricas, trabalhadores, plantações de arroz, cidades à beira da estrada, mas nada realmente bonito de se ver. A viagem inclui uma daquelas paradas caça-níqueis pra esticar as pernas, usar o banheiro e, claro, se encher de bugigangas. Fica-dica 1: não esqueça o lanchinho, porque é tudo mais caro nesse lugar. A empresa prometeu água no microbus, mas não tinha pra todo mundo. Então, leve a sua também. E não compre nada. Cometi esse erro e paguei 17 dólares por um produto que encontrei por 4 na volta à cidade.

estrada entre Hanói e Halong Bay

O caminho é feio!

No porto de Halong City, entramos no barco, onde é servido o almoço, com direito a uma bebida. A refeição está incluída no preço de 50 dólares por pessoa, assim como o transporte em microbus, a navegação pela baía, além de visitas a uma gruta e a uma vila flutuante. Na vila, a gente escolhe entre pilotar um caiaque ou simplesmente deslizar placidamente a bordo de uma canoa conduzida por um (a) vietnamita com chapeuzinho de cone. Clichê? Imagina!

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O rango estava bom!

Não é força, é técnica! A moça da canoa ao lado era craque.

Não é força, é técnica! A moça da canoa ao lado era craque.

Halong Bay tem quase 2000 ilhotas que emergem do Golfo Tonkin, formando o tão falado cenário. Bonito? Com certeza. Inesquecível? Acho que não, especialmente por estar ainda impactado pelos impressionantes paredões de Railay (bem diferentes, é verdade). A atração principal, que é o passeio de barco até o centro da baía, dura 40 minutos (se muito).

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A canoinha passa por dentro de túneis que revelam paisagens incríveis e a gruta é uma gruta, né? Só que essa com um detalhe polêmico: iluminação ultracolorida pra “valorizar” as formas. Li relatos de muitos blogamigos detonando o “efeito” de gosto duvidoso. Mas, sinceramente, nem me incomodou tanto.

O barquinho vai...

O barquinho vai…

Essa foi tirada de dentro da canoa!

Essa foi tirada de dentro da canoa!

Tire suas conclusões sobre a iluminação nada natural da gruta!

Tire suas conclusões sobre a iluminação nada natural da gruta!

Depois de encarar a estrada de novo, chegamos a Hanói lá pelas 20h30, pouco mais de 12 horas depois, portanto, do horário em que nos buscaram no hotel. Foi desgatante? Muito. Só que… na boa? Até gostaria de fazer tudo com mais calma, mas não sei se teria paciência pro tour de dois dias (o de três nem pensar), principalmente com templo nublado, como o que pegamos. De qualquer forma, fica-dica 2: gostei do serviço da South Pacific Travel. O único senão foi a quantidade insuficiente de água (não ficamos sem as nossas, porque estávamos lá na frente do busão, que nem dois decalques de parabrisa. Rs). Se preferir a operadora mais conhecida, fica-dica 3: escolha a Handspan, indicada pelo Lonely Planet.

A magnitude de Halong Bay!

O bate-volta deixou marcas. De tão açoitados, faltou-nos gás pra curtir a segunda (e última noite) em Hanói. Precisávamos estar inteiros para curtir o dia seguinte, o único que teríamos para conhecer Hanói.

Próxima parada: Hue

Parada anterior (e, de certa forma, também a próxima): Hanói

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Hanói

Depois da gincana na saída de Railay, um voo da Thai de 4h30 (incluída a escala em Bangkok) nos levou a Hanói, no Vietnã. Fica-dica 1: o aeroporto internacional Suvarnabhumi, em Bangkok, é enorme! Tivemos meia hora pra achar o outro portão e chegamos no limite pro embarque. Falando sobre o Vietnã, o país exige visto. O processo via Embaixada dá uma trabalheira danada, implica em mandar o passaporte pelos Correios pra Brasília e é mais caro que o tal “Visa on arrival”, opção que acabamos escolhendo. Funciona assim: você compra uma carta-convite pela internet, recebe um pdf com o documento e imprime. Na chegada, apresenta a carta, um formulário preenchido e uma foto. Vários sites oferecem o convite. Fica-dica 2: escolhemos o myvietnamvisa.com e pagamos 20 dólares cada um usando cartão de crédito. Os dois nomes vieram na mesma carta. No aeroporto, pagamos 90 dólares (45 cada) e entregamos tudo. Em minutos, a puliça devolveu os passaportes com o visto. Parece arriscado, mas dá certo. Fica-dica 3: leve o dinheiro trocado! E fica-dica 4: esse processo só pode usado pra quem chega de avião.

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Contratamos o transfer com o hotel por 18 dólares, porque chegaríamos tarde e cansados. Nosso hotel fica no Old Quarter, pertinho do Lago Hoam Kien, um highlight de Hanói. Ficamos assustados porque a fachada (?!?) era só uma portinha pra um bequinho que levava à recepção. É que Hanói cobra imposto de acordo com a frente do lote e não pelo tamanho da construção. O hotel é, sim, muito bom e no meio dessa região que é megaturística e, ao mesmo tempo, parte do cotidiano dos moradores.

A entrada discreta...

A entrada discreta…

... e o excelente quarto do  do Golden Sun Villa Hotel!

… e o excelente quarto do do Golden Sun Villa Hotel!

O Old Quarter é, por assim dizer, onde Hanói é mais Hanói. Como descrever o bairro? É um labirinto de 50 ruas estilo 25 de março, só que bem mais caóticas. Os fios formam um emaranhado inacreditável e as ruas são estreitas e quase temáticas (tem a da seda, a dos sapatos, a do artesanato, etc). É possível encontrar toda sorte de quinquilharia, incluindo as bagaceiras falsificadas.

A confusão do Old Quarter

A confusão do Old Quarter!

A confusão do Old Quarter!

Na noite da chegada, tivemos força apenas pra jantar no Green Mango, pertinho do hotel. Fica-dica 5: a sopa de frutos do mar mais bem temperada que provei na vida se chama Pho hai san, em bom vietnamita. Legal foi pagar a conta: 462 mil dongues! Explico: é que viajar pelo Vietnã nos deixa milionários. Quando trocamos 50 dólares no hotel, a moça nos deu 1.050.000 na moeda vietnamita, já que 1 dólar vale 21 mil dongues. Ah, e os preços aqui são baixos, bem mais que nos lugares que visitamos na Tailândia. Pagamos 45 dólares pelo quarto de primeira com o melhor café da manhã da viagem.

Ricos!

Ricos!

No dia seguinte, um tour contratado pela internet, ainda no Brasil, nos pegou logo cedo pra um passeio por Halong Bay (leia aqui como foi). O bate-volta durou o dia inteiro e deixou marcas. De tão açoitados, faltou-nos gás pra curtir a segunda (e última noite) em Hanói. Restava-nos um dia, só um dia, para conhecer o basicão de Hanói. E, acredite, conseguimos. Tudo bem que a pessoa tem que tipo turista profissional. Não dá pra sentar num banquinho e ver o movimento, por exemplo (você não vai querer mesmo porque o clima de sauna é pior pra quem tá parado). O city tour custa 40 dólares por pessoa. Fazendo tudo por conta própria, no nosso tempo, gastamos menos de 18 dólares no total, incluindo táxis e entradas. Começamos pelo mausoléu do herói nacional Ho Chi Minh (porque fica-dica 6: fecha às 11h30). É lá que repousa o corpo preservado há mais de quatro décadas (anualmente, o defunto recebe um tapa no visual na Rússia). O complexo tem ainda palácio, prédios e objetos ligados ao ex-presidente.

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Complexo Ho Chi Minh

Complexo Ho Chi Minh

Coladinho a ele, está o pagoda (ou templo) One Pillar, pra lá de caído (fica-dica 7: passe direto). Pegamos um táxi pra outro pagoda, o Tran Quoc, este bem-cuidado (fica-dica 8: também fecha às 11h30).

Tran Quoc

Tran Quoc

Seguimos a pé (é chão, mas o itinerário é interessante) rumo à Torre da Bandeira e ao Museu do Exército. No caminho (por isso é bom andar), nos deparamos com a Velha Citadela, vestígios da Hanói original, que nenhum blogamigo indicou, mas eu faço isso agora (fica-dica 9). Depois, só passamos pela torre e pelo museu (que ficam em frente à estátua do Lênin!) pra chegar até o Templo da Literatura, atração obrigatória de Hanói.

A velha citadela

A velha citadela

Clichê dos clichês!

Clichê dos clichês!

Estudantes tirando fotos de formatura no Templo da Literatura!

Estudantes tirando fotos de formatura no Templo da Literatura!

Ainda a pé, sentamos nuns banquinhos plásticos tipo de criança (tradição da cidade) pra tomar a não menos tradicional Bia Hoi, a cerveja não-industrializada, bem popular e barata. Passamos na estação de trem pra trocar nosso recibo pelos tickets e pegamos um táxi até o lago Hoan Kiem, já no Old Quarter, pra ver o templo talvez mais famoso, o Ngoc Son, com sua ponte vermelha. Fica-dica 10: achamos os pagodas todos meio parecidos. O mais bonito é o Tran Quoc, que também fica num lago.

O famoso lago Hoam Kien

O famoso lago Hoam Kien

Chegamos ao hotel às 4 da tarde pra um ultranecessário banho e pra ficar uma hora no ar condicionado (a fofa do Golden Sun Villa Hotel deixou fazermos check-out às cinco da tarde). Faltou alguma coisa? Sim! Não fomos à Ópera de Hanói e à Catedral São José (só vimos a fachada delas durante o cata-cata de turistas pro passeio de Halong), nem à prisão Hoa Lo. Não peruamos no French Quarter, área bem mais chique que o restante da cidade (apenas circulamos de microbus por lá durante o cata-cata). E não assistimos ao turisticaço show aquático de marionetes. Mas, pra mim, ficou de bom tamanho.

O charmoso caos de Hanói

O charmoso caos de Hanói


Minha impressão de Hanói?

O que vale a pena: o choque cultural, o caldeirão de influências e a rica história

O que incomoda: o caos total e absoluto (embora seja também o charme) e o clima de selva amazônica, no fim de abril

Pergunta básica: não dá curto circuito nesses fios?

Pergunta básica: não dá curto circuito nesses fios?

Permanência: 2 noites (sendo 2 dias inteiros, um deles dedicado a Halong Bay) – talvez eu fizesse o passeio de dois dias em Halong (mas só pra minimizar o estrago da volta) e ficasse mais um dia em Hanói (embora sem muita certeza se teria controle emocional pra suportar o stress). Dizem que o trânsito aqui só não é pior que o da Índia, com carros e 5,5 milhões de motos vindos de todas as direções.

A moça segue destemida!

A moça segue destemida!

Fiz a minha versão do já manjado vídeo registrando a experiência de atravessar a rua no meio dos veículos, na cara e na coragem. Pode até ser divertido, mas é também um pouco enlouquecedor.

Hospedagem: ficamos no altamente recomendável Golden Sun Villa e sua incrível curva custo-benefício. Mas há outras ótimas opções muito perto dele, no Old Quarter.

Próxima parada: Halong Bay

Parada anterior: Railay Beach

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Sudeste Asiático em 20 dias

O tempo não era ideal para uma primeira incursão ao Sudeste Asiático, principalmente pra quem queria ter uma visão geral da região. Precisaríamos de pelo menos um mês inteiro. Mas, como não tínhamos esse tempo todo, tivemos que nos virar não nos 30, mas em 20 dias. E isso pra dividir entre três países!

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Com tudo devidamente “bookado” e “esquematizado”, deu pra otimizar o tempo sem tornar a viagem uma corrida maluca. Juro! Óbvio que também fizemos escolhas de Sofia. Excluimos do roteiro Chiang Mai e as ilhas do lado leste da Tailândia; Laos; Hoi Chi Minh (antiga Saigon), no Vietnã; além de Phnom Penh, capital do Camboja. Se eu tivesse que mudar algo no roteiro abaixo, tiraria Hue e aumentaria uma noite em Hanói:

exemplo de roteiro para Sudeste Asiático

20 dias que renderam muito!

Optamos por levar uma sova logo de cara. Aproveitando que chegaríamos por Bangkok, o maior aeroporto do Sudeste Asiático, planejamos emendar outro voo pra Phuket e, de lá, um barco pra ilha de Koh Phi Phi, na Tailândia. A manobra era arriscada porque qualquer atraso numa das pernas do itinerário poderia provocar a perda de uma reserva. Mas deu tudo certo e eis que um táxi, quatro voos, cinco aeroportos, um transfer, um barco e 37 horas depois de deixarmos nossas casinhas em BH desembarcamos no paraíso. A opção por essa gincana foi pra evitarmos dividir a hospedagem em Bangkok em duas partes (já que o voo da volta sai de lá) ou então ter que voar de outro lugar pra Bangkok no dia de ir embora pro Brasil e passar por tudo isso no retorno (o que seria pior, porque o voo deixará a cidade às três da matina).

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Phi Phi: recompensa depois da maratona!

Sobrevivemos à via sacra graças, em parte, à qualidade do serviço da Etihad Airways, considerada recentemente uma das melhores companhias do mundo. O avião é de primeira, a seleção de filmes tem mais de 100 títulos (alguns ainda em cartaz nos cinemas) e os comissários são eficientes. Sem contar a excelente curva custo-benefício. Foi a menor tarifa que encontrei em quatro anos de pesquisa.  Fica-dica 1 de viagem: recomendo! E engato a fica-dica 2: se optar pelo arranca-couro, fique esperto pra marcar o voo seguinte saindo do mesmo aeroporto, como fizemos (Bangkok tem dois!).

Fique atento porque alguns lugares, como a Tailândia, podem exigir certificado internacional de vacinação contra a febre amarela. E outras vacinas, apesar de não obrigatórias, também são importantes. Alguns países também exigem visto. Leia mais sobre o assunto aqui.

Quando ir: cada país tem uma peculariedade. Mas, generalizando, dá pra dizer que a temporada seca vai de novembro e abril. Tivemos que ir no finzinho dessa chamada alta estação, na segunda quinzena de abril. O calor estava de matar, mas praticamente não choveu. Se caísse água, teria complicado bastante a viagem.

Próxima (ou primeira) parada: Ásia – vacinas e vistos

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