a tumba Khai Dinh fica no alto

Hue

proposta foi minha, admito. Mas minha parceira de viagem aceitou prontamente: viajar os quase 600km que separam Hanói de Hue, num trem noturno, e não de avião. Compramos primeira classe, pra reduzir o risco de uma cilada. Assim que chegamos perto do trem, perguntamos mais de vez e a mais de um funcionário: is it first class? Era! Cabine minúscula com uma beliche de cada lado e caminhas que mal comportavam meu diminuto 1,69m. 

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Fiquei com pena do casal parisiense que estava conosco. Ele: a cara do Aiden do Revenge… e 1,85m! Ela: feinha, mas gente boa, e 1,74m! Nicola e Amelie, em lua de mel pelo Vietnã (isso, sim, uma ideia de girico). Demos sorte de dividir a cabine com eles. Poderia ter sido pior! Bom, Hanói nos esgotou tanto que conseguimos dormir boa parte das 13h de viagem.

beliche trem Vietnã

Aqui dormi!

Ao chegar a Hue, o hotel foi gentil de nos deixar fazer check-in às 9 da matina. Tempo pra um belo banho, antes do passeio agendado para as 10. Hue é uma cidade bem menor e menos caótica que Hanói, com uma agradável orla, a do rio Perfume.

a orla do rio Perfume

Barcos que fazem a travessia do rio Perfume

Hue foi o centro imperial do Vietnã de 1802 a 1945, durante a dinastia Nguyen. As megalomaníacas tumbas contruídas para o repouso eterno dos imperadores são grandes atrações e ficam longe. Daí a necessidade do tour. Por isso e também por causa da sensação térmica modo inferno, que faz você desejar ardentemente os minutos de ar condicionado no carro, nos deslocamentos de um lugar pro outro.

tumba

Paisagem na tumba de Tu Duc

Como tínhamos só um dia, escolhemos as duas tumbas principais. A do imperador Tu Duc fica numa área enorme e tem diversos prédios, a maioria em ruínas, como a tumba da primeira esposa e o espaço que era reservado às concubinas (é que alguns imperadores também moravam ou passavam algum tempo no local que escolhiam pra fazer a bagaça toda). O calor era de ressucitar qualquer esqueleto! Arrastamos nossos restos mortais nos espreitando a cada nesga de sombra até achar onde jazia o tal homem e corremos para o carro.

Aqui jaz Tu Duc

O lugar onde está a tumba propriamente dita!

O motorista nos levou a uma tumba muito mais bonita e conservada, a do Khai Dinh, menor e mais fácil de ser visitada em condições tão adversas. Se tiver que escolher, fica-dica 1: vá a esta: 

a bela tumba Khai Dinh

a tumba do jovem imperador

Entrada da tumba de Khai Dinh

Khai Dihn foi construída num ponto mais alto. E, lá de cima, a vista é muito, muito bonita. O lugar é cercada de verde e o palácio onde está a tumba tem detalhes delicados nas paredes, portas, teto, em todos os cantos.

trabalhos nas paredes da tumba Khai Dinh

A riqueza está nos detalhes!

Em seguida, fomos ao pagode Thien Mu, maior e com atmosfera mais calma que os de Hanói. Lá, vimos monges de verdade rezando! De todos os templos, foi o que mais passou aquela sensação boa de paz. Como a tumba Khai Dinh, fica num lugar mais alto e oferece um visual muito bonito do rio Perfume.

lugar de paz e tranquilidade em Hue

do Thien Mu, dá pra ver o rio Perfume

Thien Mu

A última parte do passeio foi a Citadela. Parte da muralha que protegia essa área inteira, e que era a Hue original, já não existe mais. No interior desse grande retângulo, havia dois outros: a Cidade Imperial, sede política e religiosa, e, dentro dela, a Cidade Proibida, onde viviam o Imperador e sua família. É como se fosse uma caixinha, dentro de outra e dentro de outra. Mas não sobrou quase nada, porque Hue foi uma das cidades mais destruídas durante a guerra do Vietnã, que eles chamam de Guerra Americana.

cidade proibida

cidade imperial Hue

Citadela

Voltamos pro hotel derretidos, depois de 6h (é o máximo que o corpo aguenta). Fica-dica 2: recomendo fortemente o tour privado porque não dá pra ficar à deriva por aqui. São 45 dólares muito bem gastos, pra ter um carro com motorista à disposição durante todo esse tempo. Como não conseguimos ficar parados mesmo, tomamos só um banho rápido e saimos de novo. Queríamos conhecer o mercado popular Dong Ba. Negociamos a travessia do rio Perfume por três dólares e, quando entramos no barco, uma cena cortou nosso coração. Parece que a família do barqueiro mora toda ali. Assim que entramos, a sobrinha dele (com um dos melhores Inglês que ouvimos no Vietnã) tentou nos vender tranqueiras. Era esperta, muito esperta e, ao mesmo tempo, tinha uma pureza no olhar! Aliás, notamos isso nos vietnamitas. São sofridos, trabalhadores, mas amáveis e gentis. É um país pobre. A indústria produz muito, de roupas a eletrônicos, mas quem lucra são os gringos que vem buscar mão de obra barata. Na agricultura, só perdem pra Tailândia, no arroz, e para o Brasil no café (o deles é delicioso). Levei um pouco para o Brasil.


 Minha impressão de Hue?

O que vale a pena: o astral da cidade, mais organizada que Hanói (bem menor também, né, com cerca de 350 habitantes) e o fato de conhecer um pouco da história imperial. Os lugares rendem lindas fotos.

O que incomoda: a distância das atrações e, claro, o calor de abril.

Permanência: 1 noite e 1 dia – na boa, achei suficiente, principalmente porque não queria ir à zona desmilitarizada, fora da cidade. Mas, se eu pudesse refazer o roteiro, seria a parada mais descartável da viagem. Talvez tivesse sido melhor ficar um dia a mais em Hanói-Halong, por exemplo.

Hospedagem: adoramos o Orchid Hotel, bem localizado e com funcionários atenciosos, que organizaram tudo pra gente. A diária custou 42 dólares, pelo Booking.com, o café da manhã era espetacular e o quarto tinha computador!

Orchid Hotel - Hue

Fartura de frutas no café da manhã do Orchid Hotel.

Próxima parada: Hoi An

Parada anterior: Halong Bay

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Bangkok

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Sudeste Asiático em 20 dias

O tempo não era ideal para uma primeira incursão ao Sudeste Asiático, principalmente pra quem queria ter uma visão geral da região. Precisaríamos de pelo menos um mês inteiro. Mas, como não tínhamos esse tempo todo, tivemos que nos virar não nos 30, mas em 20 dias. E isso pra dividir entre três países!

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Com tudo devidamente “bookado” e “esquematizado”, deu pra otimizar o tempo sem tornar a viagem uma corrida maluca. Juro! Óbvio que também fizemos escolhas de Sofia. Excluimos do roteiro Chiang Mai e as ilhas do lado leste da Tailândia; Laos; Hoi Chi Minh (antiga Saigon), no Vietnã; além de Phnom Penh, capital do Camboja. Se eu tivesse que mudar algo no roteiro abaixo, tiraria Hue e aumentaria uma noite em Hanói:

exemplo de roteiro para Sudeste Asiático

20 dias que renderam muito!

Optamos por levar uma sova logo de cara. Aproveitando que chegaríamos por Bangkok, o maior aeroporto do Sudeste Asiático, planejamos emendar outro voo pra Phuket e, de lá, um barco pra ilha de Koh Phi Phi, na Tailândia. A manobra era arriscada porque qualquer atraso numa das pernas do itinerário poderia provocar a perda de uma reserva. Mas deu tudo certo e eis que um táxi, quatro voos, cinco aeroportos, um transfer, um barco e 37 horas depois de deixarmos nossas casinhas em BH desembarcamos no paraíso. A opção por essa gincana foi pra evitarmos dividir a hospedagem em Bangkok em duas partes (já que o voo da volta sai de lá) ou então ter que voar de outro lugar pra Bangkok no dia de ir embora pro Brasil e passar por tudo isso no retorno (o que seria pior, porque o voo deixará a cidade às três da matina).

phiphi

Phi Phi: recompensa depois da maratona!

Sobrevivemos à via sacra graças, em parte, à qualidade do serviço da Etihad Airways, considerada recentemente uma das melhores companhias do mundo. O avião é de primeira, a seleção de filmes tem mais de 100 títulos (alguns ainda em cartaz nos cinemas) e os comissários são eficientes. Sem contar a excelente curva custo-benefício. Foi a menor tarifa que encontrei em quatro anos de pesquisa.  Fica-dica 1 de viagem: recomendo! E engato a fica-dica 2: se optar pelo arranca-couro, fique esperto pra marcar o voo seguinte saindo do mesmo aeroporto, como fizemos (Bangkok tem dois!).

Fique atento porque alguns lugares, como a Tailândia, podem exigir certificado internacional de vacinação contra a febre amarela. E outras vacinas, apesar de não obrigatórias, também são importantes. Alguns países também exigem visto. Leia mais sobre o assunto aqui.

Quando ir: cada país tem uma peculariedade. Mas, generalizando, dá pra dizer que a temporada seca vai de novembro e abril. Tivemos que ir no finzinho dessa chamada alta estação, na segunda quinzena de abril. O calor estava de matar, mas praticamente não choveu. Se caísse água, teria complicado bastante a viagem.

Próxima (ou primeira) parada: Ásia – vacinas e vistos

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